Bem vindo ao país mais caótico da Europa!
Como podem ter visto pelas noticias, a situação tem sido uma das piores de sempre para Portugal: O país europeu com mais casos de Covid, e um dos países com maior mortalidade no Mundo pela mesma maldita pulmonia. E como se não fosse mau o suficiente, a doença ainda se atreve a armar em esquisita e não aceita a mesma vacina para todas as estirpes, pelo que com o tempo, têm de ser desenvolvidas novas vacinas, como acontece ao virus da gripe, por exemplo.
Lembro-me de talvez esta semana, ou na anterior, estar no Instagram e ver um video de Manaus, no Brasil, onde o hospital estava no maior desespero, porque faltou oxigénio. Simplesmente não havia. Havia cerca de 60 bebés em risco de vida por falta de óxigénio. E eu, uma completa estranha, que não é nada àquelas pessoas, que não posso fazer nada, senti uma angústia enorme, porque a vida das pessoas estava a vair-se-lhes entre os dedos, não havia nada que pudessem fazer, só esperar, e essa deve ser uma das piores sensações que se podem sentir.
Dois dias depois ouvi a noticia que houve uma falha no fornecimento de oxigénio do Amadora-Sintra. Sim, não demorou, mas assustou! Têm noção? Manaus é no Brasil, um país em desenvolvimento, em pleno Amazonas. Lá as pessoas não têm os mesmos recursos que aqui, na Europa, supostamente, países desenvolvidos... e falta o oxigénio! É como se... rico ou pobre, estamos todos submetidos à mesma fatalidade. Não controlamos.
No inicio da pandemia, o pessoal das cidades decidiu imitar como de fazia lá fora (como habitual) e bateu palminhas aos médicos e enfermeiros. Onde é que estão agora?
Quando batiam palmas, os hospitais ainda só estavam a aquecer, estávamos no inicio. Os nossos médicos e enfermeiros estão estafados agora! Estão há um ano a enfrentar a morte de frente, agora mais do que nunca, e não se ouve mais ninguém.
Eu sei, também pensava isso no inicio: Eles estudaram para isto. Sabiam ao que vinham. São pagos para isto mesmo. Não! A situação está insuportável agora. Não é uma fase sazonal, é consecutiva! Médicos estão a olhar para a morte todos os dias. Todos os dias e sabem que não podem salvar todos! Eu não quero imaginar a agonia que é olhar para uma pessoa e saber que não há mais nada a ser feito, e muito menos quero sequer sonhar com uma pessoa a olhar para outras duas acamadas, depois de semanas de trabalho intenso, e ter de escolher qual delas salvar. Isso já foi ou está a ser feito aqui, em Portugal.
Estão a ver aqueles filmes sobre a guerra? Há o bombardeio, ou o tiroteio e as enfermeiras correm esbaforidas para o hospital, e ali durantes as primeiras horas ou as primeiras três semanas a situação é caótica e depois recupera. Esta situação dura 11 meses e vão está em vias de melhorar. O pessoal dos hospitais mal descança, mal dorme. Chega a casa com o coração nas mãos, com receio de prejudicar a familia com a doença, porque sabe o que pode causar, onde pode acabar; e apesar de estar em casa, não esquece o que deixou para trás, com a sensação de que o trabalho nunca termina, nunca fica feito.
A vacina não trouxe o alivio que se esperava, e as coisas estão a gatinhar, não a correr, como se queria. Nem mesmo os laboratórios estão a conseguir obedecer às encomendas que prometeram à União Europeia.
E por falar em União Europeia! Carissimos, o meu país só quer fazer parte dessa organização quando há dinheiro para receber, só pode.
Vejamos: Os profissionais de saúde estão estafados, filas de 20 e mais ambulâncias à porta de hospitais, urgências de 10 horas ou mais, transferência de doentes de hospital para hospital, o que pouco adianta: vai-se de um muito cheio, para um cheio. Acham mesmo que precisamos de ajuda?
Os que mandam aqui dizem não. Nós nem tivemos de pedir desta vez. A Alemanha ofereceu-se, e sabem que quando a Alemanha oferece é porque a coisa está mesmo mal.
A primeira coisa que o Presidente disse aos jornalistas é que não era necessário. CARÍSSIMOOO!!! Há pessoas a morrer! O pior, é que eu aposto que se fosse dinheiro, tinham aceitado logo à primeira!
Depois lá mudou de ideias, e sempre vêm para cá médicos alemães e ventiladores. Existiram comentadores a condenar a medida, ousando argumentar que era uma descrença para com os médicos portugueses. Não se trata de descença! Trata-se que os nossos médicos precisam de ajuda, e não é o momento exato para se ser orgulhoso. Não vamos distorcer o que é claro: Os hospitais abriram novas vagas para médicos e nem todas foram preenchidas. Eu entendo o lado humano das pessoas. Têm medo de apanhar a doença, não querem prejudicar a familia, nem submeter-se a tal carga horária nem stresse. MAS FOI PARA ISTO QUE SE PREPARARAM!! É que se formos mais, vamos sobrecarregar-nos menos.
Entretanto, a Austría ofereceu-se também para receber doentes Covid, e o Primeiro Ministro disse não, e agora sempre vai descolar um avião em direção a Viena. Porque é que a primeira resposta é sempre "Não preciso!"?
Sabemos que as coisas estão muito feias quando uma médica, de cabelo grisalho, com décadas de carreira, dá uma entrevista, e tem de parar algumas vezes para conseguir continuar, e termina a lacrimejar enquanto pede para nos resguardarmos, para ficarmos em casa. Essa mesma médica, liga a TV, e vê casos de festas de dezenas e centenas de pessoas que não puderam ficar em casa porque têm ar no lugar do cérebro.
Sim, só se vive uma vez, então é bom que nos certifiquemos que permanecemos vivos para festejar depois, não para arriscar o couro numa festa estúpida que podia aguardar meses.
Peço-vos para serem respondáveis. Estudem, leiam, façam alguma atividade como desporto ou aprendam um talento novo, mas não se ponham a vocês, nem aos outros em risco.
Sempre vossa,
Kika Colibri


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