Aula 2: Dá-me Espaço, Dá-me Tempo
Saudações respeitados compinchas da escrita;
Espero que esteja tudo bem convosco.
Agora que já decidiram que escrever é o que querem fazer, vamos para o próximo passo: planear!
Planear o espaço, o tempo, as personagens (que falaremos num próximo post)... Não há uma ordem certa para estas etapas. Às vezes lembro-me de um personagem que quero ver num livro e desenrolo o processo a partir daí, outras vezes inspiro-me na vida real e só então crio os personagens.
Hoje vamos começar pelo espaço onde se desenrola a ação. Se estão agora a começar a epopeia da escrita, aconselho a escolherem um tema que conheçam bem, deixem a ficção histórica e a alta fantasia para depois, comecem a caminhar, em vez de correr logo a maratona. Uma boa caminhada é a fanfic, a ficção adolescente ou a ficção... porque têm espaços e cenas que são do vosso domínio (experimentem só descrever um palácio que ruiu há mais de 250 anos e passa-vos logo essa vontade, vão por mim).
Têm gosto por algum desporto? Um cantor, uma personagem, uma atriz favorita? Dá para criar histórias incríveis a partir daí, porque são pessoas que até os fãs mais doidos sabem o grupo sanguíneo! Abordem assuntos que vos sejam confortáveis. O vosso foco deve ser a escrita, a vossa personalidade literária, o vosso estilo, aperfeiçoar o modo como escrevem e só depois devem considerar cenários e tempos mais complexos, com a prática vem a ousadia que vos fará crescer.
Outro ponto, que é mais mania pessoal que regra: não vale a pena começarem com coisas como «(...) à saída do Starbucks da 5ª Avenida fui atropelada por um CEO riquíssimo que me levou para um hospital privado no Bronx.» Vocês de certeza que não sabem como é Nova Iorque e a disposição das ruas, não estão por dentro da agenda e dos afazeres de um CEO e por ultimo, essa tara do CEO que se apaixona pela probezita/nerd universitária/estagiária/amargurada/divorciada já está mais do que batida.
Escrevam sobre a vossa cidade. Afinal, se escrita é cultura, o que significará a escolha de um cenário estrangeiro para a ação? Uma coisa é a personagem passar um tempo fora, foi de férias, fugiu... outra coisa é a ação toda! E aposto que as vossas cabecinhas vão logo para os States (parabéns foram americanizados/as com sucesso!).
Voltando... Se estiverem com dificuldades em vislumbrar ou descrever o espaço como um jardim, um palácio, um museu, uma biblioteca... procurem imagens que vos inspirem e que tenham as características que mais gostariam de incorporar. O Pinterest será o vosso melhor amigo nessa tarefa.
E, principalmente, não tenham medo de se prolongar. Podem e devem ser minuciosos na descrição do espaço (olha aqui o roto a falar para o nu😂). Sei que é complicado, principalmente durante a escrita, onde temos uma torrente de ideias a surgir e as queremos guardar a todas, então escrevemos, escrevemos... e depois esquecemo-nos de ver o que estava para trás. Não basta dizer que era um museu de paredes revestidas de branco e quadros dourados. Quais eram os quadros? Cheira a quê? Ouvia-se o quê? Quais as cores? Havia bancos para as pessoas apreciarem as obras de arte? Sei que pode ser minucioso e complicado, porque parece que escrevemos tudo o que vislumbramos, porém às vezes esquecemos que o leitor não está dentro de nós para ver o que vemos, temos por isso de o inteirar do momento, como se estivesse ali, naquele lugar, como um fantasma, a admirar o desenrolar da ação.
Se estiverem indecisos guardem ou imprimam umas fotos e tenham-nas por perto para quando forem escrever.
Por exemplo, não adianta dizer que o baile estava cheio de gente se não caracterizarem o espaço do salão, o cheiro, a música, a luz, as sensações... Esta parte ainda é árdua para mim, mas tal para vocês, tenho a certeza de que o tempo e prática me levarão até onde quero: o mais próximo possível da perfeição.
Outra dica importante é não sentirem receio de mudar de ideias. Está tudo bem em voltar atrás. Estamos a experimentar e a aprender. Começamos a escrever sobre a escola, mas agora notamos que queremos uma escola fictícia com regras particulares onde as raparigas só podem abrir as asas até ao meio dia e os rapazes não podem fazer partidas de magia em sala de aula? Parece-me muito bem.
Adaptem o mundo e façam-no vosso! Tudo é possível nos livros, desde que devidamente planeado, ou seja, não precisam de um quadro branco com fotos e pins coloridos como na esquadra da policia, contudo tenham uma linha clara do que querem fazer. Podem ir deixando a ação desenrolar-se à medida que vão escrevendo mas tenham cuidado para não ficar aborrecido. Para os, e as mais organizadas, aconselho a terem o género de uma lista com o que ocorrerá a cada capítulo, por exemplo:
- Apresentação do André e do campo do treino de vólei
- Surge a Manoela, descrição dos seus interesses e pensamentos, encontra o André
- Manoela rouba a carteira, aparecem os pais do André e caracterização dos mesmos
Por hoje os conselhos estão dados. Espero que tenham gostado e que vos sejam uteis. Se tiverem alguma dúvida, escrevam abaixo.
Sempre vossa;
LeitoraCriativa01



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