Quarentena "is back": Leituras que não te vão deixar só!

Olá xuxus!

Sejam bem vindos uma vez mais! Espero que se encontrem bem, pois a situação não está nada famosa.

Ao que parece, Portugal detém agora o maior número de casos de COVID na Europa, e por isso mesmo temos de ficar em casa novamente confinados. Apesar da situação, escrevo-vos radiante por ter terminado as minhas frequências, pelo que agora tenho mais tempo outra vez.

Como temos de ficar em casa e Netflix não é resposta para tudo, decidi indicar-vos aqui uns quantos livros que vos podem interessar. 

Espero que se divirtam muito; afinal de contas, livros são a melhor maneira de viajar sem sair de casa!

1. Trono de Vidro (Sarah J. Maas)

Este foi um dos melhores livros que li! Além disso, vai fazer-vos devorar os restantes, porque... são só mais 5 ou 6 livros, consoante a edição ou a língua! Infelizmente apenas os dois primeiros estão traduzidos para português, a menos que leiam em brasileiro.

O livro conta a história de Celaena Sardothien, que é resgatada de um campo de trabalhos forçados por Dorian para se tornar a campeã do rei (lê-se assassina por contrato) e conquistar a liberdade, caso contrário, volta para o burado donde a tiraram. Contudo, a meio da competição, os foras-da-lei dos restantes patrocinadores começam a ser assassinados sem deixar pistas, e Celaena teme ser a próxima.

O livro acontece num mundo distópico, onde a magia foi proibida e os oponentes ao regime são massacrados em campos de trabalhos forçados. O que tem de mais fantástico é mostrar o poder da amizade, da diferença e inclusão, do amor, da sororidade feminina, sem jamais destruir a força da personagem principal; essa com certeza foi a caracteristica que mais me fascinou ao longo da história, e me fez admirar a Celaena cada vez mais a cada página que passava.

Estejam preparados para tremer, chorar, rir, apaixonar-se (não estou a brincar, há com cada personagem...), pegarem nas espadas e nas adagas, pois a escrita da autora faz-vos render completamente aos acontecimentos, como se estivessem lá, como se vivessem na pele o que acontece. Quando as personagens correm para salvar o pelo, vocês têm vontade de correr também e gritar "Mais depressa!" para as páginas.

Sem duvidas um livro bem imersivo, espetacular para os tempos que correm.

2. A Esposa Secreta (Gill Paul)

Oh... este li no Verão e adorei. Li metade numa tarde solarenga, no varandim de um pequeno hotel com vista para o rio Dão, enquanto os meus pais e a minha irmã foram tomar banho ao rio. Cada vez que me lembro das minhas férias lembro-me da história fascinante.

Este romance explora a possibilidade de uma das filhas dos Romanov ter escapado do massacre da familia. A história é contada sob a perspetiva de Kitty, uma inglesa que decide ir para os EUA por uns tempos e acaba por ir descobrindo a história de Dmitri, um soldado na velha Russia Bolchevique e o seu romance com a grã-duquesa Tatiana.

O que mais gostei no livro é a linha do tempo. Os livros de História dão-nos a percepção de que a Primeira Guerra parece demorar uma eternidade, depois a Revolução Russa acontece, só muitos anos a seguir é que surge a Segunda Guerra Mundial e lá para o fim, cai o Muro de Berlim. Aqui não. Aqui não há tratados, nem politiquices que nos empatam a visão do século passado. O mesmo homem que lutou na Primeira Guerra Mundial, viu o Muro de Berlim cair! Este livro deixa-nos vislumbrar o que era viver numa Europa em pólvora, numa América cheia de oportunidades para os que fugiam de regimes totalitários, e sensibiliza-nos de que tudo o que aconteceu teve apenas poucas dezenas de anos de distância. E que não está assim tão longe dos dias de hoje.

No entanto, a trama principal, a história romantica entre Dmitri e Tatiana, que é... para ser sincera cheguei ao fim do livro e não sabia se sorrir, se chorar. Terão de ser vocês a dizer-me como o terminaram.

3. Catarina de Bragança (Isabell Stilwell)

O primeiro livro acerca de romance histórico que li e que me fez apaixonar pelo género.

Como o nome indica, o livro conta a história de Catarina de Bragança e relata-nos a sua relação com os irmãos mais velhos e a familia em Vila Viçosa sob domínio espanhol, e então a Revolução, que tornou a sua vida solitária com a infeliz perda dos irmãos mais velhos e a distância dos irmãos mais novos; conta como era a princesa e a rainha de Inglaterra. 

O livro fascinou-me porque havia uma mão cheia de curiosidades sobre a nova dinastia que eu não conhecia e que aprendi enquanto me punha a par de todos os despachos diplomáticos da altura: a paz com Espanha, a aliança inglesa... e que foram mulheres a cuidar do destino de Portugal, mulheres que a História tende a esquecer com uma facilidade dolorosa.

A autora possui uma escrita tão envolvente e ao mesmo tempo tão acessivél que faz com que ao lermos os diálogos não pareçam frazes ensaiadas nem forçadas, são despidas do excesso de cortesia que se esperava para alguém da época, e essa é uma caracteristica fantástica para nos aproximarmos das personagens e da ação.

4. Amor em Lisboa (Eliana Bernardino)

Para ser honesta ainda não li este. Pareceu-se ser aquele romance mais cor-de-rosa; afinal nem todas as nossas leituras têm de ser extremamente formadoras.

A sinopse cativou-me por ser em Lisboa e pela personagem principal ser uma universitária. Pelos vistos a protagonista (Clarissa) acabou de entrar na faculdade e tem como colega de quarto uma amiga adorável que só a quer ver pelas costas, um machista em plena aula, aulas interminavéis, muita bebida e assim umas substância que a policia não gosta de encontrar... Uma quarta-feira normal portanto. Julguem-me à vontade, mas se sou universária para estudar e fazer frequências, então também sou universitária para rever as fantasias nos outros e rir a ler coisas que não acontecem.

Quem nunca se enganou sobre o ensino secundário com o High School Musical? Foi a mentira mais adorada de toda uma geração!

A minha expectativa é que a história use e abuse dos espaços mais incónicos alfacinhas para atribuir aquele spice à coisa. 

A Eliana é uma jovem autora pouco mais velha que eu, portanto decidi dar uma chance e assim que puder, vou ler o livro. Se é para ler um romance meloso e clichê, prefiro que seja de uma jovem autora nacional a uma americana best seller internacional.

5. O Ultimo Cabalista de Lisboa (Richard Zimler)

Meus filhos, só vos digo: este autor conseguiu converter um forte apologista de que a ficção histórica é péssima, para um leitor ocasional do tema, o que é uma vitória! 

Li os primeiros capitulos para uma apresentação oral da escola, mas como o livro era da biblioteca, acabei por não ter tempo suficiente para o terminar (maldição Ensino Secundário!); este ano não me escapa!

O livro conta a história de Berequias Zarco, um cristão-novo que vivia na velha Lisboa de 1500 durante as perseguições de cristãos a antigos judeus, em pleno reinado de D. Manuel. Berequias encontra um familiar, que se me lembro bem, era o tio, morto, ao lado de uma jovem desconhecida, em casa, o que é intrigante para todos e parte o coração da tia. Notaram também a ausência de um valioso manuscrito. Assim, Berequias, dedica-se à tarefa de investigar o falecimento do tio... e o resto descobrirei em breve!

A minha suspeita é que apesar de me inclinar para um homicida cristão, quem matou o tio de Berequias é cristão-novo. Isso seria um plot-twist e tanto!

O interesssante deste romance histórico é que é verdadeiramente intrigante e incita-nos a ler mais! Não é outra vez uma donzela de vestido, e um sacana que tem imensas mulheres e casam-se. O mistério do cabalista de Lisboa prende-nos da primeira à ultima página.

6. O Ensaio sobre a Cegueira (José Saramago)

Oras, não podiamos deixar o Nobel português de fora, não é verdade?

O "Ensaio sobre a Cegueira" também está na minha listinha deste ano (assim que acabar o "Memorial do Convento"), e é verdade que a escrita de Saramago não é fácil de se entender logo na primeira viagem, e que às vezes até pode ser meio denso e chato... mas a ironia compensa o esforço.

A critica está sempre presente nos livros do autor, e neste aqui, parece que é brutal. O próprio escritor disse mesmo que queria que nos afligissemos tanto ao ler, quanto ele ao escrever o livro. É sobre admitir que não somos bons, e que precisamos de coragem para isso.

Para além do mais, é sobre uma epidemia da cegueira. Que melhor livro se podia ler numa altura como esta, não é verdade?

Espero que gostem das minhas sugestões, e em breve adorarei saber se gostaram, ou até que outros livros têm em mente. Notem que apesar de ter autoras estrangeiras, parte da minha curta lista de sugestões é composta por autores portugueses (nem que seja só metade, right Isabell and Richard?). Cada vez mais lemos literatura estrangeira, principalmente americana, contudo não nos podemos esquecer da nossa.

O mercado editorial e livreiro em Portugal estão cada vez mais dificeis, portanto sugiro que recorram a uma biblioteca local se puderem, para ler estes e tantos outros livros fantásticos que nos aguardam nas prateleiras. Se não gostarem de bibliotecas ou do conceito de livro emprestado e quiserem recordar a história para sempre, podem sempre recorrer a livrarias locais, que também estão a atravessar um mau bocado. Quem sabe, talvez até consigam preços mais simpáticos do que em grandes livrarias?

Podem consultar uma livraria independente perto de vocês, em reli.pt

Sempre vossa;
LeitoraCriativa01




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