Abre as asas, o mundo é o teu palco!

Olá pessoal da net! 
Como vão?

Aposto que imaginaram que este post seria todo inspirador e poético, cor de rosa e adornado com purpurinas. Pois bem, não é. É uma dura realidade, deixem-me explicar-vos.

Todos nós, desde que entramos na escola, somos encorajados a abrir os horizontes, é-nos dito que a internet transformou o mundo numa aldeia global, que as diferenças dos outros são fantásticas e que têm de ser respeitadas, assim como as nossas. É verdade, verdade e verdade.

Há professores que até nos incentivam a ir estudar para fora, pesquisar por pequenos cursos por lá, fazer voluntariado no estrangeiro... como se nos quisessem preparar, mandar à força para fora do nosso país. Aliás, insistem tanto que parece que se não o fizermos seremos uns desempregados perpétuos.

Eu adoro viajar, conhecer coisas novas, a história, a cultura dos outros, a sua comida e os seus hábitos, nunca me pareceu errado pensar nessa possibilidade.

Pareciam pedidos plausíveis, os dos meus professores: pessoas temem o que não conhecem, se eu conhecer o outro, gerarei tolerância e amizade. O mundo fica mais calmo e eu mais feliz e consciente. Até ao momento em que a magia se desfaz e começo a ganhar real noção de toda esta preparação.

O mundo é enorme, e mais acessível do que nunca a todos. Nunca se viajou tanto, nunca foi tão fácil fazê-lo. Fica tudo a poucas horas de avião. Posso nascer em Portugal, estudar em França e morrer na Índia. 

Se antes viajar era para as elites, agora está ao alcance de cada um, principalmente no quesito trabalho. Está-nos no sangue: Portugal foi o primeiro a sentar o rabo numa barcaça de madeira e a descobrir o mundo e as suas riquezas, até explorar o lado mais obscuro das mesmas. Nas últimas décadas, milhares foram os Portugueses que deixaram a pátria por trabalho em busca de melhores condições e qualidade de vida. Afinal, quantos de nós não temos primos da França, tios do Luxemburgo, vizinhos da Suíça e familiares da Inglaterra, Canadá, Estados Unidos...

Estamos por todo o lado. E é para isso mesmo que a escola nos está a preparar. Se ainda não entenderam onde quero chegar, vou ser clara: trabalho precário

Dizem-nos para nos habituarmos à ideia de internacionalização não por turismo, respeito ou tolerância, mas porque o trabalho aqui é precário, porque há poucas oportunidades. Porque temos estudos e há países que pagam melhor. Estão a preparar-nos uma pista de descolagem.

É muito giro dizer que trabalho em Nova Iorque, vou às compras ao sábado à tarde e que tenho um apartamento na Quinta Avenida... tirando o facto de não ser assim. Sabemos que é difícil. Há imensas saudades, estamos longe da família, e por dinheiro. Por dinheiro, porque só sobrevivemos com dinheiro. 

Digam-me um português, preciso apenas de um português, que me diga que gosta de trabalhar lá fora. Dizem que gostam de Portugal, mas não é prioridade voltar, já se habituaram, lá vivem melhor... é sempre um "sim, mas..."

Somos obrigados a estar prontos para voar, "é melhor ser um guerreiro num jardim, do que um jardineiro numa guerra", com a diferença de que esta guerra não melhora há décadas. É mais fácil preparar crianças para se tornarem adultos emigrantes do que corrigir os defeitos da geração de emprego, melhores salários, melhores condições de vida para os trabalhadores, mais oportunidades...

É um problema, sabem porquê? Porque Portugal nunca teve uma geração com tanta educação superior. O nosso país está a formar-nos para sermos "encaixados" noutro país. Portugal está com mais pessoal qualificado do que nunca e está a deixá-lo fugir! Não está pronto, nem está 50٪ disponível para nos empregar. 

Por exemplo, Portugal é dos melhores da Europa (se não do mundo) a formar médicos e enfermeiros que estão a ir para fora por falta de condições e melhores salários. Se o Primeiro Ministro britânico ainda tem pulso, foi porque um enfermeiro de Aveiro cuidou dele, e há muitos mais enfermeiros e médicos nacionais a cuidar da vida de cada um, principalmente agora, por esse mundo fora.

Como funciona na saúde, funciona noutras tantas áreas. 

Estou a tirar um curso superior para me preparar, para saber mais e melhor, para me formar, mas já lá vai o tempo em que ter um canudo da mão garantia um emprego e um salário razoável. Aliás... a questão é que não é só Portugal. Os jovens europeus estão todos muito bem preparados. 

Quantos de nós não aceitam estágios não remunerados na promessa de um emprego? Ou de um corriculo? Para ser sincera ainda não defeni muito bem a minha opinião quanto ao assunto, porém numa primeira análise não me parece certo trabalhar de forma gratuita. Ah, mas é um estágio no hotel XPTO!! pois, ótimo; estou muito orgulhosa, mas... e o meu salário? Eu preciso de comer, preciso de ler... sabe... pagar contas? Se der o nome do hotel no supermercado, funciona como cheque?

As coisas correm o risco de entrar num ciclo vicioso. Tudo bem aceitar este tipo de acordos, ou tudo bem não aceitar. A questão é que quando alguém não o fizer outro fará. Se está descontente com o seu salário, outro ficará radiante de ganhar o mesmo no seu lugar. Afinal, na Ásia existem pessoas a trabalhar por uma bagatela, e não se podem dar ao luxo de fazer greve, pois outros ocuparão o seu lugar e ganharão ainda menos.

Ah! Mas aqui há politicas e sindicatos que protegem as leis trabalhistas e tudo mais. Ótimo! Deus me livre de ver isto acontecer. A verdade é que procurei os casos mais extremos só para elucidar o pequeno, que se pode tornar grande problema para nós. As coisas não estão simpáticas, nunca estiveram, mas agora ainda menos.

Acabaram esses empregos em que uma pessoa ficava 30 anos na mesma empresa, é isso que vos quero dizer. Nada está garantido hoje. Não existe a mesma solidez que existia para tal acontecer.

Bom, continuarei a preparar-me para a descolagem, não tenho outro remédio, já que aqui neste cantinho da Europa a prioridade está sempre noutras coisas do que nos jovens, principalmente no quesito emprego, contudo sugiro que pensem com seriedade da próxima vez que um professor vos falar de estudar lá fora, ou fazer qualquer coisa no estrangeiro. Ele não o está a fazer por achar giro ou divertido, ele está a fazê-lo para vos preparar para uma dura, próxima e provável realidade e não para ponderarem escolher o próximo destino de férias. 

Fiquem bem;
LeitoraCriativa01



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