Regras de etiqueta e boa educação
Olá pessoal da net!
Quantos de vocês se consideram "educados"? Adivinho que todos. Não é bem visto por aí anunciar aos quatro ventos que somos "mal-educados". Tenho então de elucidar aos que nunca tomaram consciência, de que a educação varia conforme a cultura, conforme o país, conforme os pais ou qualquer outro responsável por nós. O melhor exemplo é o de arrotar. Dizem por aí que na China, após a refeição, arrotar é de extrema educação, um sinal de gratidão ao chef, no entanto como sabemos, somos educados a não o fazer, ou ficaremos extremamente mal vistos, seremos mal-educados.
Não é sobre esse tipo de etiqueta que vos venho falar hoje, no entanto. Sobre a hipocrisia de outra, sim.
Não me sinto crescida, ou mais velha, ou até mesmo mais consciente apesar dos meus 19 anos que já me deviam maturidade, entretanto sinto que me atentei a algo que nunca tinha reparado antes, enquanto menina, e que se tem destacado aos meus olhos ultimamente e cada vez mais constantemente.
As crianças vs adultos, digo a sua etiqueta.
Os adultos adoram etiquetar crianças, dizer-lhes o que fazer, não fazer, castigar ou não. Afinal, é esse o trabalho dos pais: garantir que os seus filhos serão adultos responsáveis, autónomos e imperfeitos, pois são humanos, mas o mais próximo que se conseguir dessa perfeição.
E os adultos? Quem os educa a eles? É que, de repente, parece que assim que crescem, esquecem toda a educação dos pais, que como se sabe, certas vezes é duvidável.
Impõem-nos, enquanto crianças, que é errado mentir, que é muito feito julgar os outros, chamar-lhes nomes, que temos de respeitar as diferenças em nós e nos outros, porque é que nos torna belos e únicos, que temos de sorrir e ser corteses ou seremos rudes, que temos de ser integros e assumir os nossos erros, entre outras tantas teorias.
E os adultos?
Mentem tanto, enganam tanta gente inocente e ingénua com a sua maldade, que se mordessem a própria língua morreriam envenenados. As mentiras numa criança são terriveis : "Não fui eu que comi o ultimo rebuçado!" ou então "Juro! O Pantugas comeu-me os TPC!", mas nos adultos, são adoráveis, aplaudidas de pé: "Isto é só uma gripezinha!" ou melhor ainda "Temos o nível mais baixo de fatalidades, em todo o Mundo". Nas mentiras das crianças rimos e não acreditamos, nas dos adultos, há quem acreite, aplauda de pé e ninguém castiga.
Quando uma criança diz uma ofensa da boca fora, inocente como "Mãe, aquela senhora é gorda." ou "Porque é que o meu colega é castanho?" os papás adoram gritar e esconder-se num buraco, ao invés de repreender e dizer que não se chama ninguém de gordo/a, nem se deve julgar qualquer outra caracteristica, e que o colega é castanho porque é. É normal e natural, não o vai tratar de modo diferente pela cor, pois claro. Nas filas do supermercado é com cada vergonha... No mundo dos adultos? O sinónimo de sucesso: "Sou homofóbico e com muito orgulho!" Estão a ouvir as palminhas? Elas estão lá, acreditem, e renderam votos, pior, uma eleição. As crianças têm de respeitar as diferenças, pois a diversidade é linda, e a globalização maravilhosa. Aprender novas culturas, costumes, línguas... Não quando somos adultos. Quando somos adultos construimos muros para manter os que são diferentes de nós à distância. Aqui não há misturas. É isso ou ignorar uma catástrofe de refugiados. O truque é simples: basta acreditarmos que não está lá e ninguém o verá. O pior é quando o monte debaixo do tapete começa a ficar grande demais para ignorar...
As crianças devem sorrir e cumprimentar todos aqueles estranhos que os pais dizem que são primos, conhecidos, amigos de longa data... Os adultos devem permanecer sérios, afinal, o sucesso só vem para quem responde mal e faz cara feia. Menos as meninas e as senhoras, essas devem sorrir. Se uma mulher não sorrir é mal-educada, está-se mesmo a ver. O melhor exemplo é quando precisamos de utilizar os serviços publicos, como trasportes, postos médicos, centros de saúde e dizemos "Bom dia!" "Olá, como está?" e a melhor das respostas é um revirar de olhos. Foi um gesto de simpatia e misericórdia. Provavelmente seria pior se abrisse a boca. Não vamos sequer falar quando vamos a atravessar a rua, não é meninas?
Quando uma criança erra e tenta esconder a evidências, é posta de castigo por milénios. Os adultos? Têm uma rétorica que deixaria qualquer Sócrates roído de inveja:
Sr. Presidente quanto à contração económica, o que...
A culpa é da China, vá falar com eles.
Certo, e quanto à Pandemia, há milhares de pessoas a...
Virus da China, ninguém os responsabiliza!
Pois, verdade, então e o aquecimento global?
Culpa da China, não posso cuidar de tudo. Cada um tem de assumir as suas responsabilidades!
Parece-vos familiar? Infelizmente, a mim sim, e pelo número de vezes que este tipo de conversas e personalidades me aparecem na TV e nas noticias, até eu, portuguesinha de gema, devia ter o direito a votar nas próximas eleições americanas.
Oras, eu não sei nada quanto a educar uma criança. Não sou mãe para isso. Mas eu, tu, todos nós, temos o poder de tirar os rebuçados a estas crianças grandes e de os pôr de castigo, e quem sabe... talvez tentar pôr uma mulher no poder mude as coisas. Todos dizem à boca cheia que as meninas crescem e amadurecem mais depressa do que os rapazes, no entanto continuam a dar poder e plateia a estes palhacinhos de 60 anos, a fazer birras e argumentações de criancinhas de 3 anos. Às crianças ralha-se, a estes elegemos.



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