Professores moralistas...

Hoje, Gurus do meu coração, venho denunciar o abuso de autoridade por parte de professores!

Isso mesmo, caríssimos e carríssimas! Quantos de nós não têm aquele professor que se acha dono/a da moral Mundial?! Aquele que se acha possuidor de todo o conhecimento e ainda assim insiste com toda a sua modéstia, que tem sempre muito a aprender?!

Se nunca vos aconteceu então parabéns: vocês estudam em casa. Para os que não o fazem aqui vai:

Bom, tudo começou na Psicologia B. Ah... a Psicologia... aquela disciplina que nos primeiros 5 minutos parecia entusiasmante, porém com o aparecimento de tanto gene e ADN só dá vontade de anular e cortar os pulsos!

O professor, pessoa ricamente culta, fã de grandes cantores e músicos que nunca ninguém ouviu falar, leitor assíduo da prateleira mais escura e poeirenta da biblioteca e/ou livraria, pois decide que são os livros "com real significado", contrariamente a Dan Browns ou Philippas Gregory. Amante de fotografia e de arte. Apaixonado por grandes e pequenos museus e que insiste que cultura e entretenimento são coisas bastantes distintas.

Caso não tivesse tropeçado neste lord há uns anos atrás, confesso que agora estaria com a auto-estima no chão e a sentir-me um lixo por não ser ninguém, no entanto como a conversa não é nova... é só mais um dia a ignorar os seus falatório informativos.

"Quantos aqui costumam ler?!"- Interroga, percorrendo o olhar inquiridor de besta faminta pela sala assustando os franguinhos mal-habituados.

Doze alunos, em vinte e tal levantaram a mão. Após serem informados que ficção histórica, fanfiction e ficção adolescente não contavam, não sobrou ninguém com o braço pró alto.

Harry Potter?! Em inglês apenas, ou então está mesmo fora de questão.

A rapariga que roubava livros?! Sim, pelas suas palavras, um bom livro. (Nome de obra recordada pela autora do blog, que trabalhou o livro numa apresentação oral e não o acabou de o ler. Pelos vistos salvou-lhe o couro, mas não por muito tempo.)

"Música. Que música é que ouvem?!"- Insistiu o provável ex-agente da PIDE.

A esta altura só os bravos se aventuram a responder.

Anitta e Mc Não Sei Quantas: Nem pensar!

Justin Bieber, Post Malone, Tyga, Ariana Grande?! Só um suicida responderia assim.

Toda a gente se manteve quieta, calada e parada.

"E filmes? Alguém assiste alguma coisa de jeito? Séries?"

Pelo terror à ficção histórica, responder The Game of Thrones ou Versailles seria como enfiar a cabeça no cepo.

Filmes? Acho que a coisa mais refinada que já vi foi o Les Intouchables. Velozes e Furiosos, 007, A banca do beijo... não parecem respostas coerentes para a pergunta quase retórica do Salazar à nossa frente.

Resta-nos permanecer em silêncio absoluto enquanto somos intelectualmente insultados e nos lembramos de perguntas para lhe fazer também:

"Com a nossa idade também lia Valter Hugo Mãe?! Também ouvia esse tipo do jazz que mal aparece no YouTube de tão insignificante que é?! Ia a exposições e galerias de arte todos os fins de semana?!"

Infelizmente a insignificância do aluno deve resumir-se ao silêncio, caso contrário habilita-se a uma volta gratuita na roleta da Direção de Ano.

Entendo que a cultura seja o alimento da alma. Sem cultura não temos muito significado, porém acho que se a minha vida é para ser vivida, que seja à minha maneira. Sei de arte sim, ensinam-nos na escola e vemos quadros. Acho muito interessante quando vou a museus e vejo os quadros que estudei e outros mais, faz-me pensar e ter curiosidade por procurar mais. Faço-o. Embora não tão intensamente e tantas vezes como aqui o prof deseja.

Temos de entender que existem coisas que os professores dizem para melhorarmos e que devemos de adotar, no entanto temos de pensar um pouco pela nossa cabeça também. Não temos de nos obrigar a ouvir música que não gostamos, apenas por ser mais "rica", quando não nos diz nada com a promessa de nos virmos a tornar pessoas muito melhores, apenas porque outro o diz.

Ouço o que quero, leio o que quero e faço o que quero. Não é por ser menos "erudita" pelos termos do meu professor, que serei uma pessoa menos educada, menos gentil, ou até menos prestável. Isso são coisas que vêm de dentro e que temos de aprender muito antes de saber olhar para um quadro ou decifrar a letra de uma música cheia de significados.



Sempre vossa;
Kika Colibri

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